A BOLA NÃO TEM JUÍZO
Devo estar a ficar velho, ou era muito criança no tempo em que o futebol era apenas um jogo e toda a gente torcia por este ou por aquele, sem pensar no dinheiro que se ganhava ou deixava de se ganhar.
Nas últimas duas décadas, pelo menos, a tomada de consciência de que o futebol interessava a milhões e que se podia fazer toda a espécie de manigâncias para assegurar que o dinheiro continuará a nascer nos bolsos de muitos enquanto não viaja para paraísos fiscais, terá mudado tudo. A guerra se um clube é melhor do que outro perdeu toda a sua carga ingénua. Há muito que se trata apenas de manipulação de adeptos e extorsão de "acções", "incentivos" e "apoios". As fortunas gordas associadas a este desporto não surgiram do nada e, sobretudo, mantêm-se com muito trabalho. Isso envolve a corrupção de quase todas as estruturas do país, das autarquias aos tribunais, às finanças mais ou menos locais e provavelmente, a partes dos diferentes governos que temos tido ao longo dos últimos 20 anos.
Quando se fala do F.C.P. não participar das competições europeias, não se está a falar de futebol, mas de milhões de euros de prejuízo, dinheiro que algumas pessoas não vão receber. O mesmo se aplicará a muitos outros clubes, incluindo o Boavista e, todos os que enriquecem com a, apropriadamente chamada, "Liga Milionária".
O discurso deste senhor do "Conselho de Justiça", usando todos os recursos ao seu alcance para impedir que o resto dos "conselheiros" (acácios, por certo) decidisse contra os interesses que defende é a prova que tudo está inquinado. Se há juízes que se defendem assim, sabendo-se de antemão as suas ligações às partes interessadas, então o que temos a temer está muito para lá das intrigas futebolísticas. Está nas salas de audiência a sério. Nos lugares onde a vida das pessoas é decidida por gente como esta. Pessoas que protegem as mais discutíveis convicções por detrás do jargão jurídico e da propaganda da predominância da forma sobre sobre a substância.
ps: se alguém vir onde param os jogos de bola da minha infância, os que se jogavam e os que se coleccionavam em cromos, com a sua carga de entusiasmo e inocência, faça o favor de me informar...
2 comentários:
Faz-me um bocado de impressão que uma pessoa tão séria e inteligente como o Freitas do Amaral se meta nesta sujeira do futebol português. Os honorários dele devem ser fabulosos, mas vamos a ver se não se queima.
Olá,
Os cromos da bola andam por aí http://cromos_da_bola.blogspot.com/
O preço pelo qual eles agora se vendem (os jogadores, não os cromos) é que, infelizmente, é proporcional à nostalgia sentida hoje pelos tempos em que a bola era apenas um jogo. Continua um jogo, mas deixou de o ser para nós, passando a ser para eles.
Sérgio Serra - "O informático"
Enviar um comentário